MUITO TRABALHO PELA FRENTE

O modelo de gestão atual do Sport Club Internacional é frágil, pois se baseia muito na renda obtida com a venda de jogadores. Esse foi apenas um dos conceitos apresentados pelo consultor Amir Somoggi, que a convite do Movimento InterAção falou durante quase quatro horas para conselheiros e sócios da oposição colorada nas suítes do Estádio Beira-Rio, no último dia 5.

Discutir com profissionais reconhecidos por sua excelência todas as questões que envolvem o Colorado, de forma profunda responsável, tem sido a maior preocupação do Movimento InterAção neste ano não-eleitoral – mas de importantes acontecimentos para o Clube dentro e fora do campo. E o tema deste último encontro foi a profissionalização dos clubes de futebol.

Somoggi, que atualmente dirige a divisão de gestão do esporte da Crowe Horwath RCS, sétima maior empresa de auditoria e consultoria do país, informou que o Internacional é um dos poucos clubes brasileiros que demonstra empenho em entender a lógica de negócios extra-campo, muito também em função da participação ativa de todos os segmentos do Clube. Em estudo publicado em agosto de 2009 sobre a situação de 21 clubes no ano anterior, por exemplo, o Inter se aproximou do São Paulo na disputa pelo posto de maior receita, baixando para R$ 18 milhões uma diferença que era de R$ 45 milhões no ano anterior.

Após discorrer sobre gestão em grandes clubes do Brasil e do mundo, apresentado dados, estatísticas, valores e pontos de vista fundamentados, Amir Somoggi alertou que os times no país estão enfraquecidos e precisam evoluir em seus modelos de negócios. Segundo ele, o grande desafio ainda é trabalhar outras receitas de forma relacionada, como patrocínio e quadro social. Além disso, mais importante do que simplesmente analisar a quantidade de sócios é compreender como rentabilizá-los através de ferramentas de marketing de relacionamento.

– É possível ver o aumento das receitas dos quadros sociais e número de espectadores. E a disputa sadia entre Inter e Grêmio trouxe uma transformação nos últimos cinco anos na forma de tratar o torcedor, sempre convidado a se tornar sócio. Mas ao analisar os clubes no Brasil, infelizmente, a maioria ainda depende das transferências de jogadores para fora do país, cotas de televisão e contratos de patrocínio e de publicidade. Isto não é suficiente – comentou.

Para Somoggi, o desafio agora é o de levar o torcedor ao estádio.

– No Brasil, em geral, a taxa de ocupação dos estádios fica muito abaixo da capacidade dos mesmos – observa.

Somoggi acredita que o mercado brasileiro precisa buscar novas alternativas de renda, e essa mudança não se limita a copiar ações que funcionaram em outros clubes, pois cada instituição tem o próprio “DNA”, e a estratégia deve levar em conta essa particularidade.

Na palestra, o consultor Amir Somoggi abordou assuntos que tornam necessária uma discussão mais profunda acerca do trabalho diretivo no Sport Club Internacional, ainda aquém de ser uma gestão eficiente quando avaliada sob o aspecto da fria realidade dos números.

Fidelização do torcedor
Para Amir Somoggi, os clubes deveriam estreitar ainda mais o relacionamento com o torcedor. Segundo ele, foi isso que contribuiu para que os grandes clubes europeus se tornassem unidades de entretenimento, criando junto aos estádios shoppings centers, museus, hotéis, bares e restaurantes – a maioria deles temáticos.

– Esse é o caminho que os gestores esportivos devem mostrar aos clubes brasileiros. A indústria esportiva nacional depende exclusivamente dessa visão, já que o torcedor deixou de ser apenas torcedor para se transformar em consumidor. Ele quer mais do que uma partida de futebol: quer um lanche para o filho, quer visitar uma loja e comprar a camisa do clube, enfim, quer se divertir – enfatizou.

Para Somoggi, o projeto de fidelização de torcedores vai muito além de oferecer uma mensalidade que dá direito a uma carteirinha, revista, descontos e um lugar no estádio, como é o caso do Internacional. A lógica da fidelização é cada clube estude profundamente a base de dados de que dispõe, a fim de conhecer os hábitos e características do cliente por meio de técnicas de CRM (Customer Relationship Management) e, com isso, conseguir rentabilizar essa relação por muitos anos.

Gestão de Arena
De acordo com Amir Somoggi, os clubes brasileiros podem implementar mudanças na comercialização de jogos e na exploração comercial das arenas esportivas. O processo parte da ampliação das facilidades para o torcedor, fazendo com que o cliente em potencial, já na hora de adquirir as entradas, se interesse pelo jogo e também pelas atividades de experimentação que terá durante e após a partida.

Nesse processo, os clubes devem criar pontos de contato com os clientes e segmentar esse púbico, oferecendo benefícios condizentes com cada perfil.

Assim, cada cube deve desenvolver um projeto qualitativo da gestão da informação e desenho de estratégias focadas em projetos exclusivos para um público específico, utilizando de muita criatividade, atratividade e que sejam rentáveis para os clubes.

– Os clubes devem investir (em arenas) e colher resultados antes, durante e depois de um campeonato – concluiu.

Saudações Coloradas!
Movimento InterAção

10/10/2009

 

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